A Tempestade II

Dos escombros da última tempestade,
Ele levantou-se uma última vez.
O pior tinha passado,
O sol voltara a brilhar, de forma tímida.

Recuperou de todas as feridas,
Conseguiu voltar a caminhar.
Abraçou o sorriso
E pensou em nunca mais o largar.

No entanto as marcas estavam lá,
Enterradas no seu coração
Prontas para um dia
Voltarem da escuridão.

Vivendo um dia de cada vez
Tentou fazer o que estava certo.
Voltou a abrir o livro da sua vida
E começou a rescrever a sua história.

Tudo corria bem
E uma nova esperança dentro de si renascia.
O gelo que lhe congelou por dentro
Finalmente se derretia.

Mas de um dia para o outro,
As velhas feridas abriram-se.
Desencadeadas por um único instante,
Nesse momento voltaram a tornar-se reais.

Toda a dor vivida antes
Surgia-lhe na memória.
Ao princípio não quis acreditar
Como seria possível passar novamente pelo mesmo?

Quando se apercebeu do que estava a acontecer
Já era tarde demais.
Lá estava ele, novamente preso
Pelas mesmas correntes que o prenderam outrora.

O céu tornou-se escuro
Pintado por todas aquelas tonalidades tão familiares.
As nuvens aproximavam-se
O primeiro trovão estava a chegar.

Desesperado, tentou fugir
Mas mais uma vez, não valia a pena.
A tempestade estava à porta
Tão igual, tão serena.

São, É

São águas que continuam a correr,
É poço que nunca seca,
É tinta que preenche um papel,
É imagem que permanece, quase eternizada.

São lágrimas que percorrem um rosto,
São feridas reabertas,
São palavras indefinidas,
São frases ocultas.

É olhar vazio,
São versos sentidos,
É local sombrio,
São anseios desconhecidos


21/08/2010

A Sina

Sinto que a cada dia que passa
Vou perdendo o que me resta.
Tudo o que um dia tive
Vai desaparecendo lentamente.

Que sina esta a minha
Que não consigo compreender?
Onde erro tantas vezes
Para continuar a sofrer?

Não foram uma, nem duas vezes
E o resultado parece que se vai repetindo
Como se esta fosse a minha única opção
Independentemente do que sinto.

Onde tenho de mudar
Para tudo ser diferente?
O que tenho de fazer
Para conseguir sorrir profundamente?

Apenas me quero soltar,
Viver, sonhar.


Uma Música Dentro de Mim

Existe uma música dentro de mim
Que tento escrever vez após vez.
Trata-se do meu coração
Em forma de notas e acordes.

Escuta o que transmito
Consegues perceber o que quer dizer?
Consegues sentir o que sinto,
Compreender o que escondo de todos?

Se eu te deixar acrescentar uma nota,
Poderei confiar sempre em ti?
Se eu te deixar acrescentar uma nota,
Prometes que estarás sempre aqui?

Se fizeres parte desta harmonia
Poderei escrever um solo para ti?
Se fizeres parte desta melodia
Prometes que nunca me abandonarás?


06/08/2010

Até Quando? Até Quando?

Tenho em mim algo
Que apenas tu deixaste,
Algo que me persegue para todo o lado
Teimando em reavivar o passado

É algo que não sei definir,
Que me faz pensar em ti todos os dias
Sem nunca querer partir.

Não é ódio,
Não é dor,
Não é raiva,
Mas também não é amor.

O que será isto que sinto por ti?
Um misto de saudade com indiferença?
Não sei explicar o que é
Apenas noto esta mudança.

Torna-se estranho a mim mesmo,
Como se já não conhecesse o meu ser.
Quando chegará o dia
Em que irá desaparecer?

Desejo apagar-te da minha memória
Mas por mais que tente, teimas em ficar.
O que preciso fazer
Para finalmente poder voar?

Se não sei o que sinto,
Como poderei sair deste labirinto?

Até quando? Até quando?


Pára Durante Um Segundo

Pára durante um segundo,
Contempla este momento,
Dá uma oportunidade ao tempo.
Há tanto a descobrir com este mundo.

Esquece o passado,
Olha em frente
Há tanto que não conheces
E existe algo mais, surpreendente…

Fecha os olhos
Deixa a imaginação fluir.
Conduz esta viagem
A um eterno sorrir.


De Volta!

Bem, depois de uma férias um bocado agitadas estou de volta e com muitos poemas para vos mostrar! Irei publicar um por dia de modo a não ser tudo muito repentino.

Um obrigado especial a quem tem visitado o blog :)

Perdido em Memórias

Para alguém muito especial:

Às vezes mergulho nos meus sentimentos
Sem dar por isso viajo no tempo
Apenas como um mero espectador de momentos
E perco-me em memórias de um passado contigo a meu lado.

A nostalgia invade o meu ser,
Experimento um pequeno vislumbre do que antes senti
Mas não chega, nunca será suficiente.

Recordo-me de tudo o que passámos
E não consigo perceber onde foi que nos perdemos,
Onde foi que tanto errámos
Para que tudo chegasse a um fim.

Esse fim chegou
E hoje apenas sobram as lembranças,
Recordações, saudade,
A mais pura amizade.

Escrevo este poema
Desejando que o pudesses sentir
Como sendo as últimas palavras
Deste teu eterno amigo.

Escrevo este poema
Desejando que sejas feliz.
Fazes parte de mim
E guardar-te-ei para sempre no meu coração.


Porque Choras?

Pobre rapaz, porque choras dessa maneira?
Porque choras se depois da tempestade vem a bonança,
Um novo dia cheio de esperança?

Eu choro pelo que perdi mas que nunca conquistei,
Choro pelo que um dia pensei ter,
Choro pelo amor perdido, no labirinto do passado.

Mas o que te impede hoje de voar?
Voltar a sonhar,
Alcançar a luz que gostarias de experimentar?

As minhas lágrimas prendem-me ao passado,
A dor que sinto não me deixa viver.
Perdi toda a força para conseguir caminhar.

Pobre rapaz… Liberta-te dessas correntes
Formadas pela tua dor.
O caminho é longo
E o teu está longe de ter terminado.

Mas como faço isso se não me consigo levantar?
Um dia tive esperança,
Mas hoje?
Hoje estou coberto de toda esta escuridão.

Coloca a mão no teu coração
Consegues senti-lo?
Ele continua lá, não te abandonou.
Enquanto estiver aí serás sempre capaz de voltar a voar.

Eu sinto-o, mas como terei a certeza que sou capaz?
Sinto-me tão sozinho,
Não quero voltar a cair.

Se caíres eu ajudo-te a levantar.
Não tenhas medo, estarei sempre a teu lado
Dá-me a mão
E caminharemos juntos
Em direcção à suave melodia que tens no teu coração.


O Nosso Dia

À deriva do vento
De papel e caneta na mão
Registo mais um momento,
O momento do coração.

De que se trata este momento?
Nem eu próprio sei explicar.
Parece-me estranho
Mas ao mesmo tempo tão familiar…

Mil e uma palavras surgem no pensamento
Mas nenhuma delas é transparente.
Simbolizam o tudo e o nada
Que ocupa a minha mente.

Neste momento
Consigo voltar ao primeiro dia e transformá-lo em futuro.
Que dia será esse?
O que gosto de chamar “O Nosso Dia”.

Onde…
Abraço-te com esta tinta,
Envolvo-me com o coração
Enquanto este desenha
O nosso momento de paixão.


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