A Tempestade II

Dos escombros da última tempestade,
Ele levantou-se uma última vez.
O pior tinha passado,
O sol voltara a brilhar, de forma tímida.

Recuperou de todas as feridas,
Conseguiu voltar a caminhar.
Abraçou o sorriso
E pensou em nunca mais o largar.

No entanto as marcas estavam lá,
Enterradas no seu coração
Prontas para um dia
Voltarem da escuridão.

Vivendo um dia de cada vez
Tentou fazer o que estava certo.
Voltou a abrir o livro da sua vida
E começou a rescrever a sua história.

Tudo corria bem
E uma nova esperança dentro de si renascia.
O gelo que lhe congelou por dentro
Finalmente se derretia.

Mas de um dia para o outro,
As velhas feridas abriram-se.
Desencadeadas por um único instante,
Nesse momento voltaram a tornar-se reais.

Toda a dor vivida antes
Surgia-lhe na memória.
Ao princípio não quis acreditar
Como seria possível passar novamente pelo mesmo?

Quando se apercebeu do que estava a acontecer
Já era tarde demais.
Lá estava ele, novamente preso
Pelas mesmas correntes que o prenderam outrora.

O céu tornou-se escuro
Pintado por todas aquelas tonalidades tão familiares.
As nuvens aproximavam-se
O primeiro trovão estava a chegar.

Desesperado, tentou fugir
Mas mais uma vez, não valia a pena.
A tempestade estava à porta
Tão igual, tão serena.

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